Outubro Rosa

Estatísticamente é comprovado que as mulheres vão mais ao médico que os homens. Somos mais cuidadosas em relação à saúde. Não fujo à regra, sou uma mulher que segue o padrão estatístico e estou próxima de ser o terror do meu plano de saúde. Faço os exames regulares e quando sinto qualquer mal estar que não passa vou ao médico, sim. A sorte do meu plano, o que o livra de sentir terror ao ouvir meu nome, é o fato de eu ter, até agora, muita saúde. Sabe como é, apesar de acreditar em vida após a morte, eu gostaria que a tal vida começasse o mais tarde possível.

Minha mãe, que é a exceção que confirma a regra, sempre reclamou da mamografia. Desde que ela fez pela primeira vez - eu devia ter uns 18 anos - escuto que mamografia dói e, " não é pouco". Passei então , os últimos 18 anos esperando pelo terrível momento de tortura descrito por minha mãe avessa a consultas médicas, exames e tratamentos. Passou tão rápido, como lamento. Este ano, agora no final, completo os quarentinha. Respirei fundo, marquei hora e a médica fez o pedido dos exames, mamografia e ultrasonografia da mama.

Lá fui eu de respiração suspensa realizar o exame. A clínica só possuia funcionárias mulheres, o que é maravilhoso. Todo mundo no mesmo barco sabendo onde aperta o sapato. Toda a minha preocupação era com a dor. "Minha mãe diz que dói, é verdade?" Minha médica, uma cínica educadora, jurou que não doia nada, nadinha de nada. Já a técnica responsável por operar o mamógrafo, entregou. " "Dói sim porque eu tenho que pressionar bastante. Se eu não pressionar corretamente o exame pode não ter resultado conclusivo, entendeu." Entendi. E uma vez entendendo pensei em milhões de outras coisas até a dor passar.

Quando acabou, fui encaminhada para o segundo tempo. A ultrasonografia, lembra? Ah, tá. Mas pelo menos não vão espremer. Não, mas ultrasonografia funciona como mesmo? Pois é, depois de tudo dolorido, como se eu tivesse parado um trem daquele jeito que faz o super-homem, alguém fez uma ultrasonografia onde o trem tinha parado e eu vi realmente estrelas. É um pouco demorado, a médica precisa esgotar todos os quadrantes para ter certeza que nada de errado cresce lá. Deu tempo de pensar sobre o que eu estava, afinal, fazendo ali.

Estava fazendo algo absolutamente necessário. E por ser uma pessoa de muita, muita sorte, eu tenho condições de realizar o exame com hora marcada, café , água gelada, carinho e atenção. Fiquei pensando em quantas mulheres não conseguem fazer seus exames por falta de médicos, mamógrafo, agenda e tantos outros recursos. E quantas que como eu, podem e adiam seu compromisso consigo mesmas indefinidamente por conta do ritmo agitado de vida, dos cuidados com o marido, com os filhos , com a casa e o trabalho.

Enquanto a médica espremia meu dolorido peito que tinha parado um trem poucos minutos antes agradeci a Deus por minha vida, minha saúde e meu esclarecimento.

Saiba mais sobre o movimento Outubro Rosa acessando o site Mulher Consciente. Ficou linda a iluminação do Cristo Redentor por conta do evento. As imagens são do site.




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5 fios puxados:

Patricia Daltro on 7 de outubro de 2009 10:00 disse...

Vanessa, esse seu post é extremamente necessário! O pior é que mais do que o medo do exame (minha mãe também frisou bastante a questão da dor), é a dificuldade de muitas mulheres terem acesso ao exame. Daqui há dois anos, terei a obrigatoriedade dos exames, e até lá, preciso me enfiar em plano de saúde, por que sem isso, como pude testemunhar com várias amigas, a dificuldade é imensa! Você tem que, praticamente pernoitar nos postos de saúde, para conseguir agendar para seis meses depois. E, essa demora, pode ser o diferencial entre um tratamento e cura
ou consequências piores.

Luciano A.Santos on 7 de outubro de 2009 10:13 disse...

Vanessa,

Sou uma exceção à regra: vou ao médico sempre que "sinto" que alguma coisa está errada. Minha mãe diz que procuro por problemas, não concordo: se tenho um problema, quero mais é encontrá-lo logo e seguir com o tratamento. Como dizem, é muito melhor prevenir.

Abraços.

Georgia on 7 de outubro de 2009 11:20 disse...

Vanessa, super importante este post e muito interessante.
Lá no meu blog bo sidebar o click mamas é permanente.

Bjus

jamesp. on 7 de outubro de 2009 12:24 disse...

Bela campanha,Vanessa e prevenir é mesmo sempre melhor que remediar.Um grande abraço.

Cristine on 7 de outubro de 2009 12:43 disse...

Muito bom seu artigo, Vanessa! Já entrei no clube das 'super-mulheres que param o trem' há alguns anos, e realmente não é a coisa mais agradável do mundo, mas é necessário.

E é muito melhor um incômodo que dura alguns segundos do que ser atropelada pelo mesmo trem algum tempo depois, por não ter feito a prevenção.

Grande abraço!

Leia no Mãe é tudo igual

 
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